Bela Vingança é um filme que traz luz a um assunto essencial: a cultura do estupro. Cassandra, uma jovem ex-aluna de Medicina, frequenta bares e baladas em busca de predadores sexuais. De preferência aqueles que aparentam ser “os caras bonzinhos”. Ela finge estar bêbada e espera algum deles se aproximar e oferecer “ajuda”.

Pronto. Nesse momento, ela acompanha seu “salvador” até onde ele a leva [ todos que são mostrados no filme, a levam para seus apartamentos]. Mas antes que aconteça o pior, ela diz que não estava tão bêbada quanto aparentava.

O filme, dirigido por Emerald Fennell e produzido por Margot Robbie, expõe de forma certeira o comportamento nocivo de alguns homens ao se depararem com uma situação igual a apresentada anteriormente.

Nos mostrando os reflexos e consequências que o abuso tem na vida da vítima e das pessoas em sua volta, o filme intercala momentos de apreensão e suavidade [ mas sabemos que esses momentos mais amenos são para nos preparar para mais momentos de estômago embrulhado].

No começo do longa, nós temos a certeza de que algo muito ruim aconteceu com Cassandra, pois ela busca se vingar de homens aproveitadores. Porém, logo descobrimos que se trata de sua melhor amiga, Nina, que foi abusada em uma festa de Universidade e não aguentou o peso do que lhe aconteceu e cometeu suicídio.

Bela Vingança nos faz refletir sobre os comportamentos doentios da sociedade que sempre tenta culpar a vítima, com as frases do tipo: “ela pediu”, “estava tão bêbada, nem lembra o que aconteceu”. A atriz, Carey Mulligan, de forma majestosa, sai de seu papel de quase vítima para uma caçadora em segundos e o público é levado a torcer para que ela consiga sua vingança.

A vingança da protagonista, principalmente com as pessoas que abusaram ou compactuaram com o ocorrido à sua melhor amiga, é feita de forma psicológica, brincando com suas mentes.

A trama do filme é fechada, de forma que a história foi tão bem escrita e produzida que não há do que reclamar, e te deixa com uma sensação de desconforto o tempo todo. Mas não se preocupe, o desconforto acaba nos segundos finais, com um clímax sensacional.

*Por Victoria Capaldo

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