Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Cecília Meireles

Talvez eu escreva porque o instante também existe e assim, faça minha vida estar completa. Não posso dizer se sou feliz ou triste, mas sei que sou poeta. Igual a carioca Cecília Meireles. Ou talvez, “igual” seja uma palavra muito forte, já que ela era única. Tão só ela que, aos dezoito anos, lançou seu primeiro livro: Espectros. 

Mas não pense que ela era só poetisa. Não, não. Apesar dos brilhantes trabalhos com as rimas e métricas, Cecília contribuiu com contos, crônicas, literatura infantil e até mesmo no folclore – produtos de limpeza multiação choram. E imagine você, ela ainda era formada em pedagogia e atuou como jornalista. Tá achando que acabou? Agora sim.

Foi ela quem fundou a primeira biblioteca infantil no Rio de Janeiro, em 1934. Como educadora, deu palestras em Universidades e ensinou Literatura, Técnicas e Críticas Literárias. Ela também deu aula na Universidade do Texas e articulou conferências em Lisboa e Coimbra.

Cecília e a literatura

Há quem diga que a poetisa não era adepta a nenhum movimento. Há quem diga também que ela fazia parte da época Modernista – aquela mesma de Carlos Drummond de Andrade e Clarice Lispector, onde teve a Semana de Arte Moderna, em 1922. Os modernistas eram os artistas que visavam a ruptura com os modelos tradicionais, seja na poesia, na prosa ou em qualquer movimento artístico, além da busca por inovação. E é possível verificar também a liberdade criativa, a aproximação à linguagem popular e, talvez a coisa mais importante, a quebra de formalismos.

E, sim, ela fazia parte dessa época, mas sua poesia continha muitos traços românticos, realistas e surrealistas, além de ter sido influenciada fortemente pelo movimento simbolista. Cecília é muito conhecida por usar elementos da natureza em suas obras – isso graças ao espírito neossimbolista -, como por exemplo o vento, o tempo e a água. 

No desequilíbrio dos mares,
as proas giram sozinhas…
Numa das naves que afundaram
é que certamente tu vinhas.
[…]

Entretanto, ela conseguia estar em qualquer fase da literatura. Na fase romântica, a narrativa rimada e homenageando os heróis da pátria eram as características mais presentes. Nas poesias reflexivas, procurava compreender o mundo através de suas próprias experiências.

Cecília morreu em 1964 e deixou em seu legado mais de 20 obras. Ganhou prêmios durante a carreira, como o Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras, o Título de doutora honoris causa pela Universidade de Delhi, na Índia, e o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, um ano após sua morte. 

Se em um instante se nasce e um instante se morre, um instante é o bastante para a vida inteira.

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